“A vida é difícil, mas vale a pena ser vivida”.

Winnicott não aceitou a explicação freudiana, da agressividade como decorrente da ação psíquica de uma pulsão de morte.

A teoria de Winnicott é desenvolvida a partir de Freud, de Klein, dos psicólogos do ego, dos filósofos e dos poetas da nossa civilização.

Os pressupostos básicos da sua teoria:

1) O conceito do eu

2) A realidade interna

3) O fato da dependência

4) O funcionamento psíquico precoce no sentido da integração,personalização,a partir das relações objetais primitivas e da onipotência

5) A imposição e o trauma gerando a auto-defesa, o falso eu,a expectativa de perseguição

6) O fato da existência da área da ilusão, com os objetos e fenômenos transicionais.

7) A importância decisiva do brincar(“to play”), do espaço potencial, do uso do objeto

8) A moralidade inata e a capacidade para preocupação e reparação

9) A importância decisiva das provisões ambientais (a mãe, o pai, a adaptação ao meio)

10) O equilíbrio entre limite e espaço (conteúdo/forma;segurança/risco;individuo/grupo social; continuidade/descontinuidade).

O livro contém 131 citações de D.W.Winnicontt e citações de Bower (2) Brasel, Darc,Fairbairn, Isaacs, Khan, Klaus, Liedloff, MacFarlane, Piaget,Rose, Schaffer e Wilson.

A realidade psíquica interna consiste em um processo de desenvolvimento da personalidade a partir das fantasias do bebê vinculadas ao funcionamento do seu corpo e da percepção da separação entre o corpo (eu) e o “não eu”.

O bebê é parte de uma relação com “alguém” (mãe); a maternidade suficientemente boa é fundamental para impedir a permanência do desamparo original; desamparo→ dependência absoluta→ dependência relativa→ interdependência é o caminho do desenvolvimento da personalidade.

A não integração possibilita o relaxamento, a inconsequência e o desejo de estar só, do adulto.

A personalização (“psique residindo na soma”) é a “trama psicossomática”, que é uma realização, a qual pode não ser obtida (nas psicoses, no autismo).

A imposição real do ambiente contradita o impulso natural do bebê, gerando traumas; ameaças de aniquilamento,agonias primitivas (“ansiedades impensáveis”) (despedaçar-se, cair para sempre,não ter relação com o corpo, não ter orientação, isolamento completo por falta de meios de comunicação); são estes os pavores primitivos.

A “reação desorganizadora do continuar-a-ser” leva à psicopatologia; o autismo, a esquizofrenia infantil, a esquizofrenia latente e a personalidade esquizoide são consequências do fracasso da adaptação ao ambiente na fase de dependência absoluta (“auto-defesa”).

Portanto, a sanidade é decorrência de um ambiente bom no inicio da vida; o “falso-self” (falso-eu) é decorrência do fracasso da apresentação-de-objetos, na fase de dependência absoluta.

A permissão da ilusão da onipotência é necessária à criação do objeto transicional (“primeira possessão não-eu”); o paradoxo “objeto eu/não-eu”não é para ser resolvido, pois é preciso preservar o espaço transicional (“área de experimentação”). Portanto,o desenvolvimento e manutenção da capacidade de brincar é fundamental para o ser humano, tal como descreve também, Piaget, no seu “jogo simbólico”.

No espaço potencial, onde a criança brinca, é que ocorre o aprendizado de formas de lidar com a frustração, que dependem da permanência (sobrevivência) do objeto.

A moralidade, para Winnicott,  é inata, levando a uma capacidade de preocupação.

A tendência anti-social é uma decorrência de um fracasso (privação) ambiental na fase de dependência relativa ( roubo, comportamento agressivo, atos destrutivos, crueldade compusiva, perversões).

O conteúdo não tem sentido sem a forma; os artistas são criadores de novas formas de equilibrar o conflito entre os nossos impulsos e nosso senso de segurança, que deve ser baseado no auto controle advindo da elaboração interior do conflito.

A democracia é o exercício da liberdade; a identificação com a autoridade está ligada à tendência anti-social e exclui a identificação com um grupo social.

A distorção do limite também distorce o espaço e, consequentemente, distorce os processos maturacionais; o limite pode ser fraco, ou rompido,ou ausente; isto retira a forma, retirando também o significado da experiência vivenciada no espaço.

O pai tem a função de proteger a mãe e o bebê; o sentimentalismo e a reação permissiva enfraquecem os limites; a assunção da própria maldade evita a depressão e o sentimentalismo.

“O parâmetro para a permissividade é a dificuldade do desmame; o exercício da democracia pressupõe a capacidade de respeitar as leis.

A violação do limite pode vir de fora; a ditadura é um exemplo disso; na verdade, a sociedade deve se preocupar em prover apoio aos pais normais através do acesso à moradia, à alimentação, ao vestuário, à instrução, ao lazer e ao alimento cultural para o lar comum; a confiabilidade do lar é fundamental para a criança.

O brincar é espontâneo e depende da liberdade da vida pulsional; depende de experiências vitais vivenciadas no espaço potencial; este e um lugar onde usamos símbolos; os fenômenos transicionais estão na raiz da capacidade humana para o uso de símbolos.

No espaço potencial entre o bebê e a mãe, aparece o brincar criativo, que surge naturalmente a partir de um estado de relaxamento; assim, ocorre um uso de símbolos que representam os fenômenos do mundo externo e do mundo interno, ao mesmo tempo.

A aquisição do sentimento de continuidade do tempo é fundamental; este sentimento está distorcido nas psicoses e nas privações (delinquência).

Da capacidade de ser surge a capacidade de fazer; de criar e recriar o ambiente cultural.

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