É uma ocorrência bastante comum na vida das pessoas, se devendo a diversas causas, tais como dificuldades de relacionamento interpessoal, frustrações existenciais, excesso de decepções e de fracassos na administração dos sentimentos, desejos e emoções.
A síndrome da ansiedade se caracteriza por um grande insegurança em relação ao comportamento do corpo, o qual passa a apresentar taquicardia, falta de ar, sensações de mal- estar, tonteiras e, nas crises de pânico, uma usual sensação de morte iminente.
A experiência psicanalítica mostra que essa “ansiedade” (também descrita como “nervosismo”, “insegurança”, “ânsia”, “angústia”) tem origem na estrutura do Aparelho Psíquico do ser humano, constituindo-se essencialmente de “somas de excitação corporal, que dariam origem às pulsões de vida e de morte, as quais estão sendo descarregadas diretamente no corpo, promovendo a liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), as quais são responsáveis pelo sintomas de “mal-estar”.
A liberação de catecolaminas é o resultado de um reflexo de “luta ou fuga” desenvolvido durante a experiência dos sêres humanos através das inúmeras gerações, na interação com predadores e nas disputas por território, alimento e direito à reprodução; situações psíquicas estressantes, na família ou dentro de um escritório, por exemplo, são também capazes de acionar uma descarga de catecolaminas a partir da medula das glândulas suprarenais, gerando os sintomas de mal-estar, angústia, ansiedade ou pânico.
O termo “angústia” denota a sensação indefinida de mal-estar, isto é, uma perspectiva inquietante, com uma “negatividade expectante”, antevista para acontecer a curtíssimo prazo (“no próximo instante”, em segundos, em minutos) e que mobiliza toda a atenção do indivíduo, paralisando suas outras atividades ou substituindo-as.
Devemos diferenciar a angústia, da hipocondria (ambas rotuladas por Freud, em 1895 e 1914, respectivamente, como sendo tipos das “neuroses atuais”); na última, existe uma “falha narcísica no amor próprio e na autoestima” que permite a criação de fantasias a respeito do adoecimento de órgãos do corpo e dos seus tecidos (um “câncer”, por exemplo), sem que exista qualquer comprometimento real dos mesmos.
Como já dissemos, o aspecto essencial na ansiedade é a falta da elaboração psíquica do conflito inconsciente mas, neste caso, devida à ausência da representação psíquica das somas de excitação que deveriam ser representadas no Id e elaboradas pelo Ego, com vistas à sua descarga psicomotora; esse “bloqueio na representação psíquica das somas de excitação originárias do corpo”, o qual impede também a elaboração psíquica dessas somas de excitação, gerando um excedente de energia no interior do psicossoma, é o responsável pela descarga de energia nervosa que proporciona a liberação das catecolaminas diretamente no corpo.
A experiência negativa com as crises e o estado crônico de angústia agrava a situação, gerando o mêdo de novas crises (“que são esperadas como possivelmente sendo mais graves”).
Além da medicação com ansiolíticos, os pacientes portadores de ansiedade devem iniciar a psicanálise, no intuito de restaurar sua capacidade de representação psíquica e de elaboração do conflito interno inconsciente, uma vez que as causas das crises de ansiedade estão em inadequações e insuficiências no trabalho de elaboração e administração dos desejos, dos sentimentos, das emoções e da agressividade do paciente.

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